Relatório do CENIPA aponta condições meteorológicas adversas e falhas operacionais em acidente que matou quatro bombeiros em Ouro Preto
Investigação identificou decolagem com visibilidade abaixo do mínimo exigido, perda das referências visuais e colisão com a Serra do Amolar. Treinamento e gestão de riscos também foram analisados.
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), divulgado em 28 de outubro de 2026, apontou que condições meteorológicas adversas e decisões operacionais inadequadas contribuíram para o acidente com o helicóptero Arcanjo 04, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), ocorrido em 11 de outubro de 2024, em Ouro Preto, na Região Central do estado.
De acordo com a investigação, a aeronave decolou com visibilidade horizontal estimada em 180 metros, abaixo do mínimo de um quilômetro exigido para aquele voo visual.
Aproximadamente 30 segundos após a decolagem, a tripulação perdeu as referências visuais do terreno. Cerca de 56 segundos depois de deixar o solo, o helicóptero atingiu a Serra do Amolar.
O acidente foi classificado como voo controlado contra o terreno, situação em que uma aeronave em condições de voo colide com um obstáculo sem que a tripulação consiga identificar o perigo e evitar o impacto a tempo.
Treinamento e gestão de riscos
Além das condições meteorológicas, o relatório analisou aspectos relacionados à sobrecarga de trabalho, ao treinamento dos tripulantes e à gestão de riscos da unidade aérea.
Segundo a investigação, os treinamentos priorizavam operações especializadas, como resgates, enquanto procedimentos básicos, a exemplo de decolagens e pousos, recebiam menor atenção.
A contribuição de fatores como fadiga e coordenação da tripulação, entretanto, foi considerada indeterminada.
Recomendações e medidas adotadas
Após o acidente, o Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente as operações aéreas da unidade e adotou medidas como revisão das escalas de trabalho, reforço dos treinamentos e acompanhamento psicológico dos tripulantes.
O CENIPA também recomendou que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) reforce, junto às unidades aéreas públicas, o cumprimento das regras de treinamento e a implementação de sistemas de gerenciamento da segurança operacional.
Seis vidas perdidas
O acidente ocorreu durante as buscas por um avião monomotor que havia caído horas antes na região.
Morreram os quatro militares do CBMMG que estavam a bordo: capitão Wilker Tadeu Alves da Silva, primeiro-tenente Victor Stehling Schirmer, segundo-sargento Welerson Gonçalves Filgueiros e terceiro-sargento Gabriel Ferreira Lima e Silva.
Também perderam a vida o médico Marcos Rodrigo Marques Trindade e o enfermeiro Bruno Sudário França, integrantes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Os destroços e os corpos das vítimas foram localizados após aproximadamente 12 horas de buscas.
A tragédia marcou profundamente as instituições de segurança pública e saúde de Minas Gerais.
Importante: o relatório do CENIPA tem finalidade preventiva, voltada à identificação de fatores contribuintes e à prevenção de novos acidentes. Suas conclusões não representam, por si só, atribuição de responsabilidade criminal, civil ou administrativa.
