*A VALORIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA NÃO PODE SER APENAS UM DISCURSO DE CAMPANHA*
Nos últimos anos, a categoria da Segurança Pública alimentou uma expectativa legítima de que haveria uma mudança significativa na valorização dos seus profissionais. O aumento da representatividade de integrantes das forças de segurança nos cargos eletivos e as promessas apresentadas durante o período eleitoral fizeram muitos acreditarem que esse seria um novo momento para policiais e demais servidores da área.
Entretanto, ao analisar o cenário atual, percebe-se que grande parte da categoria ainda demonstra insatisfação. As discussões em grupos e redes sociais refletem um sentimento de frustração diante da percepção de que diversas promessas não se traduziram, na prática, em uma valorização compatível com a importância da atividade policial.
É importante reconhecer que governar exige equilíbrio entre inúmeras demandas da sociedade, limitações orçamentárias e decisões políticas. No entanto, isso não elimina a responsabilidade de cumprir compromissos assumidos com aqueles que acreditaram em um projeto de governo baseado na valorização da Segurança Pública.
Outro ponto que merece reflexão é a força política da categoria. Muitos policiais entendem que, durante as eleições, a Segurança Pública ocupa posição de destaque nos discursos dos candidatos. Porém, após o processo eleitoral, cresce a sensação de que as pautas da categoria perdem espaço diante de outras prioridades da administração pública.
Independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos, a valorização dos profissionais da Segurança Pública deve ser tratada como política de Estado, e não como promessa de campanha. Salários dignos, plano de carreira estruturado, melhores condições de trabalho e reconhecimento institucional não representam privilégios, mas investimentos na qualidade do serviço prestado à população.
A maior lição desse momento talvez seja a necessidade de uma participação cada vez mais consciente da categoria na vida pública. Acompanhar mandatos, cobrar resultados, fiscalizar promessas e avaliar o desempenho dos representantes eleitos são atitudes essenciais para fortalecer a democracia e garantir que os compromissos assumidos não permaneçam apenas no discurso.
No fim, governos passam, mandatos terminam e eleições se renovam. O que permanece é a necessidade permanente de valorização daqueles que diariamente colocam suas vidas em risco para proteger a sociedade. Essa pauta deve estar acima de partidos, interesses eleitorais ou conveniências políticas.
