segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 


*A CONTRADIÇÃO QUE PRECISA SER EXPLICADA*


As redes sociais estão expondo uma contradição que, até pouco tempo, ficava restrita aos bastidores: policiais militares, inclusive integrantes da carreira operacional, aproximando-se e até se filiando a partidos e movimentos políticos que historicamente defendem a desmilitarização, a reestruturação ou a substituição do modelo de Polícia Militar.


É preciso falar com franqueza: o policial tem liberdade política. O que não significa que esteja imune à incoerência.


Não existe problema em ser de esquerda, direita ou centro. O problema começa quando um profissional que depende da existência, da autoridade e da estrutura da Polícia Militar passa a apoiar politicamente projetos que questionam justamente esses pilares.


É uma questão de coerência.


O policial que combate diariamente o crime, enfrenta criminosos armados, realiza prisões e exerce a autoridade estatal precisa, no mínimo, conhecer profundamente o projeto de segurança pública do partido que pretende apoiar.


Não adianta reclamar da falta de efetivo, da estrutura precária, da desvalorização profissional e da insegurança jurídica e, ao mesmo tempo, entregar apoio político a quem defende um modelo de segurança incompatível com aquilo que o policial vivencia nas ruas.


Isso não é consciência política. É, muitas vezes, falta de análise política.


E existe uma realidade que precisa ser dita sem rodeios: nenhuma instituição sobrevive quando seus próprios integrantes passam a apoiar projetos políticos que trabalham contra seus fundamentos.


O policial não precisa ser cabo eleitoral da própria corporação. Mas deveria ter responsabilidade suficiente para entender quem está tentando fortalecê-la, quem pretende reformá-la e quem pretende enfraquecê-la.


Porque amanhã pode não existir mais a instituição que hoje garante sua carreira, sua autoridade e sua atividade profissional.


Ideologia passa. Partido muda. Governo muda. Mas as consequências de determinadas escolhas políticas podem permanecer por décadas.


Portanto, antes de levantar uma bandeira partidária, vale fazer uma pergunta simples:


“Se esse projeto político vencer, a Polícia Militar que eu conheço estará mais forte ou mais fraca?”


Se a resposta for difícil de admitir, talvez seja hora de repensar a escolha.


Atenciosamente,

Marcus Vinícius

LUTO

  NOTA DE PESAR É com pesar que comunicamos o falecimento do Sgt Robson , militar que atuava em Paraisópolis, na Brigada Municipal, e que s...