segunda-feira, 11 de maio de 2026



Há quem diga que um governo foi melhor que o outro apenas porque concedeu reajustes pontuais ou colocou pagamentos em dia. Mas a realidade da segurança pública mineira é muito mais complexa do que comparações simplistas.

No governo de Fernando Pimentel, servidores enfrentaram anos sem reajuste, atrasos salariais e a grave crise dos consignados, quando valores descontados em folha não foram repassados aos bancos, levando muitos servidores à inadimplência e à negativação dos nomes, mesmo tendo os descontos realizados em seus contracheques.

Já no governo de Romeu Zema e de seu vice, Mateus Simões, houve a regularização dos pagamentos. Ainda assim, para muitos servidores, isso não representa valorização, mas apenas o cumprimento de uma obrigação básica do governo.

A principal reclamação continua sendo a defasagem salarial acumulada ao longo dos anos. Entre inflação, perdas inflacionárias não recompostas, vetos e reajustes insuficientes, muitos servidores afirmam que as perdas já ultrapassam 50% do poder de compra.

Enquanto o custo de vida aumentou significativamente, salários permaneceram estagnados. Policiais da ativa, aposentados e pensionistas convivem diariamente com a sensação de abandono, sobrecarga de trabalho e desvalorização profissional.

O debate precisa ser feito com equilíbrio e honestidade. Reconhecer erros do passado não significa ignorar os problemas atuais. Da mesma forma, manter salários em dia não apaga a perda salarial acumulada nem resolve a falta de valorização enfrentada pela segurança pública mineira.



Renata Pimenta

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