Vocês não podem ficar sequestrados por parlamentares', diz Simões em reajuste da segurança pública
Governador defende aprovação de PEC para garantir reajuste salarial anual e automático às forças de segurança de Minas Gerais
Por Luiz Otávio Barbosa
Publicado em 16 de setembro de 2026 | 14:25
Governador é o quarto candidato a participar da sabatina de O TEMPO
Governador é o quarto candidato a participar da sabatina de O TEMPO
Foto: Fred Magno / O TEMPO
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), defendeu nesta quarta-feira (16/9), durante sabatina de O TEMPO, a criação de um mecanismo de reajuste salarial automático e anual para as forças de segurança do Estado, ao ser questionado sobre o adoecimento mental de policiais penais e a baixa de efetivo no sistema prisional. Segundo o governador, o modelo atual, dependente de votação todo ano na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deixa a categoria refém de parlamentares que usam a pauta para se reeleger.
Simões reafirmou o compromisso de lutar pela aprovação da PEC 40/2024 ou de um projeto próprio equivalente. "Vamos continuar trabalhando para garantir a aprovação, na Assembleia, da PEC 40 ou de um texto meu equivalente, que garanta o reajuste anual para as forças de segurança, independentemente de votação de lei", afirmou, durante a entrevista transmitida ao vivo no canal de O TEMPO no YouTube.
'Sequestrados' por parlamentares
Para o governador, o modelo atual de negociação anual expõe as categorias de segurança a pressões político-eleitorais. "Vocês não podem ficar sequestrados por parlamentares que usam isso para poder se eleger todo ano. É porque tem parlamentar que só se elege prometendo que vai lutar pelo seu aumento, e isso sequestra o seu voto e também sequestra a categoria. A gente precisa libertar as forças de segurança disso", declarou.
Como comparação, Simões citou o piso salarial do magistério, reajustado todos os anos por determinação de lei federal. "Os professores já têm essa garantia. Nós estamos cumprindo todo ano o reajuste do piso da educação já faz cinco anos", disse. O governador argumentou que a segurança pública é o único serviço em que o cidadão não tem alternativa privada, diferentemente de saúde, educação e transporte, o que justificaria, na sua visão, um tratamento distinto para a categoria.
PEC 40
A PEC 40/2024, apresentada por mais de cem câmaras municipais mineiras, tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais desde 2024 e prevê recomposição salarial anual automática para as forças de segurança, com base na inflação. A proposta está travada por um "vício de iniciativa" apontado pela própria Assembleia: mudanças na política salarial do funcionalismo só podem ser propostas pelo Poder Executivo, e não por câmaras municipais. É por isso que Simões tem defendido o envio de um projeto próprio do governo com o mesmo objetivo.
Além do reajuste, o governador citou a recomposição do efetivo como outro compromisso com a categoria. Segundo ele, o Estado contratou 20 mil policiais ao longo dos últimos quatro anos, sendo 10 mil policiais militares, mais de 3.000 policiais penais, mais de 2.500 policiais civis e mais de 1.000 bombeiros. "Vamos continuar com esse processo de recomposição da força", declarou.
