*QUANDO A NARRATIVA POLÍTICA BATE DE FRENTE COM AS IMAGENS*
Mais uma vez, um episódio envolvendo a Polícia Militar de São Paulo demonstra como é fundamental separar fato, narrativa política e evidência.
O candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), veio a público relatar que seu motorista teria sido perseguido e abordado de maneira truculenta por policiais militares, chegando a mencionar uma perseguição de aproximadamente 40 minutos e agentes portando fuzis.
A gravidade de uma denúncia dessa natureza exige, evidentemente, investigação séria. E foi justamente isso que ocorreu.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, aproximadamente 40 câmeras de segurança instaladas ao longo do trajeto foram analisadas. A apuração preliminar não encontrou indícios de abordagem ao veículo ou de interação entre os policiais e integrantes da equipe de Haddad. Também foram analisados dados de geolocalização das viaturas, que não confirmaram a narrativa apresentada inicialmente.
É aqui que precisamos fazer uma análise técnica e racional.
Uma acusação pública não pode se transformar automaticamente em condenação pública. Antes de acusar policiais de truculência, perseguição ou abuso de autoridade, é necessário apresentar provas capazes de sustentar essas acusações.
A Polícia Militar de São Paulo, instituição que diariamente coloca seus homens e mulheres nas ruas para enfrentar criminosos, precisa ser respeitada enquanto instituição de Estado. Isso não significa defender eventual policial que cometa uma irregularidade. Pelo contrário: policial que erra deve responder pelos seus atos.
Mas também significa não aceitar que uma instituição inteira seja colocada sob suspeita com base exclusivamente em uma narrativa política que, até o momento, não encontrou correspondência nas imagens analisadas pela própria investigação oficial.
E existe uma questão ainda mais importante: estamos falando de um candidato ao Governo de São Paulo. Portanto, qualquer denúncia envolvendo uma instituição policial precisa ser tratada com extrema responsabilidade, justamente para impedir que a segurança pública seja transformada em instrumento de disputa eleitoral.
É legítimo que Fernando Haddad peça esclarecimentos. É legítimo que todas as testemunhas sejam ouvidas. A própria apuração continua em andamento e poderá avançar caso apareçam novos elementos.
O que não é legítimo é transformar uma versão ainda não comprovada em verdade absoluta e, a partir dela, tentar construir uma narrativa de perseguição política contra adversários.
A Polícia Militar merece investigação quando houver denúncia, mas também merece reconhecimento quando as evidências demonstram que seus policiais não cometeram aquilo que lhes foi atribuído.
E, neste caso, até o momento, as imagens analisadas não sustentam a acusação de uma abordagem truculenta como inicialmente apresentada.
Isso deveria servir de lição para todos os lados do espectro político: em uma democracia séria, não se julga pela narrativa; julga-se pelas provas.
A Polícia Militar de São Paulo deve continuar fazendo aquilo que dela se espera: trabalhar, proteger a população, cumprir a lei e prestar contas quando necessário.
E cabe à sociedade ter o mesmo compromisso com os fatos.
Narrativa política passa. Imagem, prova e investigação permanecem.
