Mateus Simões transformou a PEC 40 em vitrine política. Fez discurso, criou expectativa, sinalizou apoio às forças de segurança e vendeu a ideia de que o governo finalmente resolveria a recomposição salarial da tropa.
Mas o tempo passou e a realidade apareceu: a PEC segue parada, sem votação, sem solução e sem coragem política para enfrentar o problema de verdade.
Agora o governo tenta se descolar da própria narrativa. Depois de falar em consulta ao TRE sobre a viabilidade da proposta, surge dizendo que o questionamento não era especificamente sobre a PEC 40. A explicação pode até servir tecnicamente, mas politicamente soa como recuo.
Fica a impressão de que o governo usou a pauta das forças de segurança como instrumento de aproximação e marketing político, principalmente em um momento de desgaste com a categoria.
Se existia impedimento eleitoral, isso já era conhecido. Se existia vício de iniciativa, isso também não surgiu ontem. Então por que criar esperança pública antes de ter uma solução concreta?
No fim, sobra discurso e falta resultado. A tropa ouviu promessa, viu cerimônia, viu medalha, viu fala de efeito, mas continua sem resposta prática.
A PEC 40 virou símbolo de um governo que fala muito sobre valorização, mas entrega insegurança política, jurídica e institucional.
