As marcas que não aparecem foram deixadas por uma violência que muitas mulheres conhecem bem.
Durante muito tempo, mulheres são ensinadas a suportar. A perdoar. A compreender. A dar mais uma chance. A acreditar que vai mudar.
E quando finalmente criam coragem para denunciar, muitas vezes encontram um novo obstáculo: pessoas tentando convencê-las a desistir.
Se o seu companheiro diz para você não denunciar, denuncie.
Se um líder religioso tenta fazer você acreditar que denunciar é falta de perdão, denuncie.
Se um chefe usa sua posição para intimidar você e impedir que procure ajuda, denuncie.
Se qualquer autoridade tentar colocar medo na sua decisão de buscar justiça, denuncie.
Porque ninguém que realmente se preocupa com a sua vida vai pedir que você permaneça em silêncio diante da violência.
O feminicídio não começa com a notícia no jornal.
Ele começa quando a primeira agressão é ignorada.
Quando a primeira ameaça é minimizada.
Quando a vítima é desacreditada.
Quando o agressor percebe que ninguém vai impedi-lo.
Muitas mulheres que hoje estão em estatísticas já tentaram pedir ajuda um dia. Muitas já ouviram frases como "pense bem", "não faça isso", "você vai destruir uma família", "ele vai mudar", "não exagere".
Nenhuma mulher deveria carregar a culpa pela violência que sofreu.
A culpa é de quem agride.
A culpa é de quem ameaça.
A culpa é de quem tenta silenciar.
Eu sobrevivi para contar minha história.
Muitas não tiveram a mesma oportunidade.
Por elas, por nós e pelas que ainda estão sofrendo em silêncio, eu me recuso a me calar.
Se você está vivendo qualquer forma de violência, saiba de uma coisa: você não está sozinha.
Sua vida vale mais do que o medo.
Sua vida vale mais do que a opinião dos outros.
Sua vida vale mais do que a imagem de qualquer agressor.
Fale.
Denuncie.
Procure ajuda.
Quebre o silêncio antes que ele se transforme em uma tragédia.
Nenhuma mulher a menos.
