Eduardo de Ávila

Se tem algo que aprecio nas pessoas é sua integridade. Tem meu reconhecimento e respeito. Quero falar e homenagear um amigo que a vida me presenteou. Coronel Domingos Sávio Mendonça, lá no blog do Galo conhecido pelo nome composto e entre seus amigos como Coronel Mendonça ou simplesmente Mendonça. Polêmico, irreverente e que não cede às pressões dos que tentam impor ao seu jeito sincero de levar sua vida pessoal e profissional, pagou caro por defender seus colegas de farda,

Antes vou contar como nos conhecemos e as coincidências de nossas vidas. Leitor assíduo do blog Atleticano que assino, não perdia uma chance de alfinetar com sua corneta ao nosso time e também ao blogueiro. Até que um dia marcamos uma prosa, num jogo do Galo, lá se vão alguns anos e estabelecemos sem combinar nada uma frequência de resenhas regada a cafezinho e chá de camomila dele. Além do time que devotamos paixão e fé, críticos desse momento conturbado que estamos atravessando, ainda que em trincheiras diferentes.

Ele passou por um processo que conheço muito bem. Assim como eu no passado, abusou do álcool e também pagou caro por julgamentos convenientes de desafetos. Venceu, como eu, o desafio da abstinência. Nem por isso os algozes se esqueceram do Mendonça que seguiu sua missão de lutar pela valorização dos servidores da segurança pública estadual. Inquieto enfrentou e ainda enfrenta debates em busca de melhores salários e renda dos militares e outros agentes públicos da segurança. Denunciou e segue nessa linha aqueles que se aproveitam de cargos ocasionais para proveito próprio.

Com isso coleciona uma coleção e boa marca de processos judiciais e militares. Num deles, quando dos tempos de abuso da cerveja, ameaçou parente meu que chegou a ser autoridade estadual. Conversei com essa pessoa que prometeu abrandar na audiência. Missão descumprida pelo aconselhamento da assessoria e o processo ainda segue tramitando. Noutra ação que denunciou abuso de colega, acabou condenado a três meses e dez dias (100 dias) de recolhimento. Dormiu no quartel de janeiro até o início desse abril e ainda durante feriados e final de semana também recolhido. Com dignidade cumpriu a pena, embora tenha sido assediado sistematicamente por “enviados” para amaciar e aliviar suas manifestações.

Reagiu a todas e a todos. Cumpriu a detenção, teve a pena diminuída em função de benefícios da lei – leitura e cursos – mas não cedeu à chantagem e a tentação. Durante esse período, com menor frequência, evidentemente pelo seu recolhimento noturno por menos vezes proseamos. Nunca demonstrou ressentimento e qualquer desejo de vingança, ao contrário, afirmava que seguiria o mesmo roteiro que já lhe custou caro – financeira, emocionalmente e junto a familiares – pela causa da tropa! Dignidade e proteção em lei para a remuneração daqueles que protegem o cidadão, mesmo com o sacrifício da própria vida.

Por fim, vale destacar, colocações pessoais de minha parte. Nossas tribos profissionais são diferentes, mas tivéssemos um Mendonça liderando qualquer movimento reivindicatório da minha categoria eu daria carta branca. Já disputou e perdeu eleições, disse que não pensa mais em enfrentar um pleito (lamento pelos seus colegas de tropa), mas garante que seguirá lutando por aquilo que julga ser de merecimento dos quartéis. Ainda que lhe custe outras condenações. Força caro amigo, afinal ainda temos muito o que fazer nessa passagem física pelo plano terreno. No espiritual, pessoas como você, tem lugar assegurado ao lado dos bons