Cleitinho é favorito por ser o único que dialoga com o interior, afirma ex-marqueteiro de Zema
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As eleições em Minas Gerais não serão definidas por posição ideológica e a maioria dos votantes espera por um nome que alie capacidade de gestão e ligação concreta ao interior. A avaliação é do marqueteiro Leandro Grôppo, responsável pelas campanhas de Romeu Zema (Novo) ao Palácio Tiradentes em 2018 e 2022. A O Fator, Grôppo detalhou suas previsões para o pleito de outubro.
O jornalista e especialista em marketing eleitoral defendeu que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) possui o primeiro lugar nas pesquisas por ser o único pré-candidato que sabe como falar com os 75% do eleitorado mineiro que vive fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
“Eleição é oferta e demanda. Até 2018, a população do interior era obrigada a escolher entre candidatos com carreira política construída na capital. Na campanha do Zema em 2018, nós oferecemos uma alternativa para essas pessoas, através de um candidato que vivia a realidade das regiões mais afastadas de Belo Horizonte”, analisa.
Ainda de acordo com Grôppo, apesar de ser assumidamente um político de direita, Cleitinho se comunica bem com eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao defender pautas como o fim da escala 6×1.
Sobre a campanha à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), o especialista aponta a ausência de uma marca de gestão a ser defendida. Segundo ele, tal lacuna é vista desde a segunda vitória de Zema.
“O ex-governador Romeu Zema (Novo) venceu em 2018 com a promessa de arrumar a casa, e isso o eleitor entendeu que foi feito, dando a ele a reeleição em 2022. Na administração que se encerrará ente ano, no entanto, os avanços prometidos não se concretizaram. A marca deste governo ainda é a da reeleição. As pesquisas que temos mostram que a maioria do eleitorado quer mudança”, pontua.
Em relação às pré-candidaturas do senador Rodrigo Pacheco (PSB), do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-presidente da Câmara Municipal de BH (CMBH), Gabriel Azevedo (MDB), o marqueteiro reforçou que o principal desafio do trio será se desvincular da imagem de representantes da capital.
“Um episódio que ficou marcado em 2022 foram as agendas no interior em que o então candidato ao governo Alexandre Kalil visitava municípios como Uberlândia e Poços de Caldas vestido com uma camisa xadrez e um par de botinas. Isso mostra o estereótipo que as pessoas de BH cultivam do interior. E esse distanciamento é, obviamente, rejeitado por quem mora longe de Belo Horizonte”, sustenta.
Novo precisa de autocrítica
Após duas eleições atuando com um candidato majoritário do Novo, Grôppo avalia que o núcleo diretivo do partido não aprendeu com as derrotas que obteve.
“Eleição não é análise de currículo. As pessoas querem se sentir representadas na hora de definir o voto. Esta é a grande dificuldade que o Novo precisará superar para sobreviver eleitoralmente”, conclui.