De faraós a imperadores, obras e decisões estruturantes marcaram eras. Na política contemporânea, a lógica mudou: narrativas e retóricas algorítmicas disputam espaço com realizações concretas.
Romeu Zema (Novo) encerra mais de sete anos à frente do governo de Minas Gerais. Sua principal marca foi o pagamento de salários e repasses constitucionais aos municípios, realizado às custas da suspensão das parcelas da dívida mineira com a União. O débito do estado praticamente duplicou durante seu governo.
Se, por um lado, Fernando Pimentel (PT) deixou o estado em situação de inadimplência, por outro, obteve uma liminar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) que permitiu a Zema suspender temporariamente os pagamentos à União, retomados apenas em agosto de 2025.
Zema também aproveitou a principal narrativa de Pimentel em governos e campanhas e conquistou uma saída estruturante para a dívida mineira: o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados. Ele foi construído na Assembleia Legislativa por deputados da oposição, levado a Rodrigo Pacheco (PSD) por Tadeu Leite (MDB) e só se viabilizou com o apoio do presidente Lula (PT).
Há muitas formas de gravar a posteridade, mas certas escolhas indicam a direção dos registros. Zema, que agora concorre à Presidência da República, deixa Minas Gerais com muitos problemas, pouca habilidade política, nenhuma ação de impacto e nenhuma verve de estadista. Quase oito anos depois, seu maior adversário político, Fernando Pimentel, também figura como seu melhor aliado.
— Bertha Maakaroun
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