sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Minas começa 2026 no ‘cheque especial’, com R$ 11,3 bilhões em indisponibilidade de caixa Outros estados também estão na mesma situação fiscal, que pode impedir investimentos e frear políticas públicas

 


O Governo de Minas Gerais anunciou superávit de R$ 1,108 bilhão em 2025, resultado de receitas de R$ 132,7 bilhões frente a despesas de R$ 131,6 bilhões, mantendo o equilíbrio fiscal pelo quinto ano consecutivo. Parte desse resultado, porém, é composta por recursos vinculados a finalidades específicas, que não podem ser utilizados livremente pelo Executivo.

Ainda assim, o Estado aparece entre os entes que iniciaram 2026 com insuficiência de caixa para cobrir obrigações financeiras herdadas. Isso ocorre porque superávit orçamentário não é o mesmo que disponibilidade financeira. O superávit indica que a arrecadação superou as despesas no exercício, mas a indisponibilidade de caixa considera o dinheiro efetivamente livre após descontadas obrigações, restos a pagar e passivos acumulados.

Em outras palavras, é possível fechar o ano com resultado positivo nas contas e, ao mesmo tempo, começar o exercício seguinte com aperto no fluxo de caixa.

Apesar desse cenário, Minas cumpre o limite de gastos com pessoal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A despesa com servidores representa pouco mais de 48% da Receita Corrente Líquida, abaixo do teto de 49% permitido ao Poder Executivo estadual.

O quadro mostra que o desafio atual não está no descumprimento da LRF com pessoal, mas na gestão do caixa e no volume de compromissos financeiros acumulados ao longo dos anos.

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