sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

 


Irmãos de farda,


Hoje eu encerro oficialmente um dos ciclos mais intensos da minha vida.


Minha trajetória na Polícia Militar não começou ontem.

Em 2012, eu ingressei na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Foi ali que eu dei meus primeiros passos na vida policial, onde aprendi base, disciplina, hierarquia e o que significa vestir uma farda com responsabilidade.


Em janeiro de 2014, iniciei minha caminhada na Polícia Militar de Minas Gerais. Fiz o Curso de Formação de Soldado e, depois, o Curso de Formação de Sargento em Belo Horizonte. A partir dali, foram 12 anos de serviço prestado à sociedade mineira.


Atuei como soldado em Frutal. Depois como sargento em Frutal, em Uberaba, retornei a Frutal e finalizei esse ciclo em Campos Altos.


Quem trabalhou comigo sabe: eu sempre fui operacional. Sempre fui de atender ocorrência, de assumir frente, de entrar quando precisava entrar. Nunca fugi de responsabilidade.


Ao longo da minha carreira, participei de ocorrências de grande vulto.

Foram mais de 200 armas de fogo apreendidas.

Somente no período da 299ª Cia / Tático Móvel em Uberaba, sob o comando do então 1º Tenente Brito (hoje Major Brito, subcomandante do 37º BPM), foram mais de 100 armas apreendidas.

Grandes apreensões de drogas (toneladas).

Criminosos de alta periculosidade capturados.

Ocorrências complexas, tensas, que exigiram técnica, sangue frio e confiança no parceiro.


Eu sempre atuei com coragem, dentro da legalidade e cumprindo a missão. Reagi quando precisei reagir. Fiz o que precisava ser feito para preservar vidas — inclusive a nossa.


Nunca busquei fama. Busquei resultado e voltar vivo para a casa (eu e a equipe).


Também enfrentei desafios internos. Vim para Campos Altos em razão de um processo administrativo por exercer atividade empresarial. No mundo civil isso é normal. Dentro da estrutura militar, gerou consequência administrativa. Assumo minha parte nisso.


Mas uma coisa deixo clara:

Nunca fui desonesto.

Nunca fui corrupto.

Nunca precisei me esconder.


Agora sou empresário com orgulho. Gero atualmente mais de 40 empregos diretos, conforme a CLT. Ou seja, alimento mais de 40 famílias. Construí algo sólido fora da farda que me orgulha.


Hoje eu encerro minha trajetória na PMMG por decisão estratégica de vida. Pedi exoneração para focar integralmente na minha carreira na área de tecnologia, programação e desenvolvimento. Estou indo para os Estados Unidos expandir essa atuação.


Não é abandono. É evolução de ciclo. É queimar os barcos para nao ter caminho de volta e fazer tudo dar certo, sempre alinhado com Jesus.


E antes de sair, deixo algumas palavras que considero essenciais:


Lealdade entre nós é fundamental.

Lealdade não é acobertar erro — é não abandonar o irmão.


Na ocorrência, é você e seu parceiro.

Conversem antes de julgar.

Ouçam antes de condenar.

Resolvam internamente antes de expor.


Polícia é polícia. Quem está fora não entende metade do que vivemos.

União precisa ser maior que vaidade.

Exemplo precisa ser maior que cargo.


Aos líderes: liderem pelo exemplo. Humildade constrói respeito muito mais que grito.


E a todos: não carreguem peso desnecessário. Não deixem a profissão adoecer vocês por dentro.


Voltem vivos pra casa. Sempre.


Meu desligamento será efetivado a partir do dia 6, ao término da minha férias-prêmio. A partir dessa data, por questões de sigilo e natureza operacional das mensagens tratadas aqui no grupo, eu estarei me retirando.


Não é afastamento de amizade. É respeito à instituição e às informações sensíveis compartilhadas aqui.


Saio da Polícia Militar com orgulho da minha história.

Sem arrependimentos.

Com a consciência tranquila de que fiz meu melhor.


Que Deus proteja cada um de vocês em cada serviço.


Acima de nós, só Deus.


Meu respeito eterno.


2º Sgt Igor Diniz

2012 – PMESP

2014–2026 – PMMG

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