quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 


O amor acabou
O rompimento político está escancarado. Filha de veterano e com histórico de votos contrários às pautas da segurança pública, a deputada estadual Lud Falcão (Podemos) agora rompe publicamente com o governador Romeu Zema e, principalmente, com o vice-governador Mateus Simões. O episódio marca o fim de uma relação política que, ao que tudo indica, só existia enquanto era conveniente.
Lud Falcão afirmou ter recebido, com indignação, uma ligação do vice-governador, classificada por ela como intimidadora, autoritária e desrespeitosa. Segundo a parlamentar, Simões teria exigido que seu marido, o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, ligasse até a meia-noite para pedir desculpas, sob ameaça de não serem mais recebidos em repartições públicas estaduais. Um comportamento incompatível com o cargo e revelador de como parte do poder ainda acredita que pode governar na base da pressão.
O telefonema teria ocorrido após o prefeito publicar um vídeo criticando declarações do vice-governador sobre o corte de convênio entre o Estado e a Prefeitura de Patos de Minas. No vídeo, Falcão lembrou o óbvio: a segurança pública é obrigação constitucional do Estado, e não favor do município. Quando a crítica veio à tona, a resposta não foi institucional — foi pessoal, agressiva e, segundo a deputada, machista.
Lud Falcão destacou que a ligação foi feita diretamente a ela, na noite de quarta-feira (21/01), o que classificou como uma tentativa de intimidação política. Eleita com mais de 59 mil votos, afirmou não aceitar pressões, intimidações ou “recados autoritários travestidos de diálogo institucional”. Para ela, o caso extrapola o âmbito pessoal e atinge a democracia e o espaço das mulheres na política.
Enquanto isso, nos bastidores, já circula a informação de que Luís Eduardo Falcão pode surgir como candidato a vice-governador em uma futura chapa. A segurança pública, porém, não tem memória curta. Não se pode apagar o histórico, nem fingir que discursos recentes compensam anos de omissão. Quem nada fez pela segurança pública quando teve oportunidade não pode, agora, posar de alternativa.
Que fique claro: o amor acabou. E, para quem vive a realidade da segurança pública todos os dias, não há esquecimento, nem perdão político para quem virou as costas quando mais precisava agir.

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