Tribuna
Investigação mira casal de policiais da reserva e filha por estelionato e falsidade ideológica em Juiz de Fora
Um casal de policiais militares da reserva, lotados no 2º BPM de Juiz de Fora, e a filha, civil, são alvos de investigação por suspeita de estelionato, falsidade ideológica e crimes contra o patrimônio e a fé pública. O caso tramita em segredo de Justiça.
Segundo apuração, as vítimas teriam fornecido dados pessoais à filha do casal para participar de supostas operações de investimento. Posteriormente, eram induzidas a validar informações, inclusive por meio de reconhecimento facial. Com o tempo, passaram a identificar movimentações não autorizadas, como emissão de cartões de crédito, abertura de contas bancárias e contratação de empréstimos consignados com descontos em folha, além do acúmulo de dívidas.
Os prejuízos atribuídos à filha também passaram a ser relacionados à conduta dos pais. Conforme relatos, por serem policiais e gozarem de credibilidade, eles teriam apresentado amigos e ex-colegas de corporação às supostas operações financeiras, divulgadas como oportunidades de retorno.
Testemunhas relatam prejuízos
Pessoas lesadas relataram os casos sob condição de anonimato. Entre elas, um idoso de 70 anos com Alzheimer, que teve um empréstimo realizado em seu nome e não conseguiu sacar a aposentadoria. Os recursos eram destinados à compra de medicamentos, e a situação afetou diretamente sua subsistência.
Outra vítima afirmou conhecer os policiais há anos e disse ter sido convidada por eles para um grupo de investimentos. Posteriormente, descobriu que a aplicação não existia e identificou empréstimos consignados, abertura de contas em diferentes bancos e uso de cartões de crédito sem autorização.
Uma terceira vítima relatou ter presenciado a filha do casal utilizando reconhecimento facial para acessar dados pessoais, inclusive de sua própria pastora. O Ministério Público informou que o número de vítimas ainda não está definido.
Defesa e andamento do processo
O advogado da família, Marcos Nascimento, afirmou que a investigação está em fase inicial, sem denúncia formal ou formação de culpa, e que pretende solicitar o retorno do sigilo do processo para evitar exposição indevida.
A Polícia Militar informou que instaurou inicialmente um Inquérito Policial Militar (IPM), posteriormente encaminhado à Justiça Militar e ao Ministério Público. A Justiça Militar declinou da competência, remetendo o caso à Justiça Comum de Juiz de Fora. A Polícia Civil abriu novo inquérito, com prazo de 60 dias para conclusão.
O Ministério Público terá 15 dias após o encerramento da investigação para decidir se oferece denúncia, arquiva o caso ou solicita novas diligências. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que o processo segue em tramitação, com a última movimentação registrada em 18 de dezembro, sob sigilo judicial.
