Sou policial penal de Minas Gerais e estou extremamente esgotada. Para muitos pode parecer drama, exagero ou desculpa para não trabalhar, mas não é nada disso. Trata-se de adoecimento mental. O que vivemos na Polícia Penal é desumano.
Falta efetivo, faltam condições mínimas de trabalho e sobram riscos. As viaturas, principalmente nas unidades do interior como a minha, estão sucateadas, sem o devido reparo, colocando em risco a vida dos servidores. Viaturas novas só chegam às unidades que a gestão escolhe beneficiar.
Além disso, infelizmente, precisamos lidar com diretores comissionados despreparados para o cargo, que levam tudo para o lado pessoal. Quando um servidor se nega a realizar uma escolta por falta de condições mínimas de viatura ou efetivo, passa a ser taxado de preguiçoso, conspirador ou descompromissado. Os afastamentos psiquiátricos são tratados por esses gestores como “reclamação demais”, subjugando e deslegitimando a condição médica do servidor.
Nossa realidade é constantemente mascarada por falácias e por fotos institucionais de quem detém o poder, enquanto a base adoece.
As condições precárias não se resumem a isso. Há falta total de comunicação direta com o RH em Belo Horizonte. Protocolos no SEI não são respondidos. No meu caso, sofri dois descontos indevidos no auxílio-alimentação e, desde setembro de 2025, não obtive qualquer resposta, apesar das solicitações formais de explicação.
A escala de trabalho é exaustiva. Há convocações para bate-cela em dias de folga, desrespeitando qualquer limite físico e emocional. No momento, estou afastada e não consigo sequer ver uma viatura do sistema, uma farda ou qualquer coisa relacionada ao órgão. Tudo isso me causa sofrimento.
Quando tomei posse, o intuito era servir com honra, como fiz por alguns anos. Porém, o sistema massacra tanto o servidor que a desmotivação se torna inevitável. É uma realidade triste, adoecedora e silenciosa.
