terça-feira, 22 de agosto de 2023

 

Dilema para Zema: destrói o Estado ou Minas acaba com ele

Tadeu reprova pressa de Zema para vender a Cemig, fotos Luiz Santana/ALMG e Gil Leonardi/ImprensaMG

Ao tentar dar golpe no Estado, agindo como mascate que sai vendendo as joias da coroa, o governador Romeu Zema (Novo) pode estar cometendo suicídio político. Por isso, está cheio de medos. Com medo da reação popular contra a venda de empresas estatais, ele fez Proposta de Emenda à Constituição do Estado para excluir dela a consulta à população. Com medo de não ter maioria qualificada dos votos dos 77 deputados, ou seja 49 (ou ainda 3/5), quer reduzir a aprovação para só a metade dos votos, maioria simples (39).

Continua depois da publicidade

Zema não gosta da política muito menos dos políticos; tem medo e não confia neles e ainda se acha melhor e mais bem-intencionado. Até então, Zema culpava Agostinho Patrus, ex-presidente da Assembleia Legislativa que deixou o posto para ser conselheiro do Tribunal de Contas, de impedi-lo de fazer o que queria. Julgando que o caminho agora estaria livre, deu o perigoso passo que põe em risco seu futuro político. Seja qual for o desfecho da tresloucada aventura, estará perdido.

Primeiro risco: fim precoce

O primeiro risco é o de não conseguir vender o patrimônio público econômico e social de mais de 60 anos, como a Copasa (60 anos e dois meses) e a Cemig (71 Anos). Mesmo passando por cima das medidas protetivas constitucionais. Essa é a razão pela qual ele quer facilitar o negócio da China. Exemplos desse risco não faltam. Outro dia mesmo orientou sua base parlamentar, que, no papel, tem 57 votos, para rejeitar reposição salarial a policiais e por apenas três votos não perdeu: 36 contra e 33 a favor. Ou seja, se fracassar nessa tentativa, será o fim de seu governo 2.0 no curtíssimo prazo


Tanto é que para evitar o desastre, tem adotado os conhecidos mecanismos que tanto criticava nos partidos tradicionais: a compra da consciência dos deputados. Todos os dias, o diário oficial do Executivo registra nomeações de cargos indicados por deputados aliados. Em um único dia (10/8), houve mais de 600 nomeações, ante uma média abaixo de 50 no ano. Deputados aliados passaram a ser padrinhos de cargos de segundo e terceiro escalões.

Outro instrumento de manobra poderosa são as emendas parlamentares, liberando recursos para obras indicadas pelos mesmos deputados aliados, elevando o custo público de Minas Gerais.

Segundo risco: história

O segundo risco tem efeito menos avassalador, mas agrava por ser de longo prazo. Se alcançar seus objetivos, Zema dará um passo para entrar na história como o governador que conseguiu vender e acabar com o Estado. Que trocou patrimônios públicos históricos por dinheiro para tapar buraco de estradas. Logo, logo, as estradas voltam a ficar intransitáveis e o Estado não terá mais as estatais que ele entregou.

Tadeu reprova a pressa

Numa postura equilibrada e de advertência, o presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB), mandou um aviso. “Minas Gerais precisa avançar, se modernizar e se tornar ainda mais competitiva, mas nada será feito às pressas. Os mineiros merecem que esta decisão seja tomada com muito diálogo, responsabilidade e cuidado com o que é patrimônio da população”, disse o deputado no Twitter.

Continua depois da publicidade

Os deputados estaduais que participarem desse butim correm risco menor, mas as eleições municipais e estaduais consecutivas poderão lhes dar o veredito. Senhor governador e senhores que dizem representar a população, a história costuma ser implacável com aqueles que se omitem, negligenciam e dilapidam o patrimônio público.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Deputados federais mineiros ficam insatisfeitos após reunião com Zema em Brasília

CÂMARA DOS DEPUTADOS Deputados federais mineiros ficam insatisfeitos após reunião com Zema em Brasília Parlamentares dizem que o governador ...