Itatiaia
Com incerteza sobre Colégio Tiradentes, Simões patina em nova tentativa de aceno às polícias
Governador de Minas Gerais alimentou a desconfiança de servidores das forças de segurança com chance de escolas anunciadas não saírem do papel.
Obstáculo para que o governador Mateus Simões (PSD) se consolide como um candidato que transita entre os mais importantes grupos da direita, as forças de segurança seguem como uma pedra no sapato do pré-candidato à reeleição. Desde que assumiu o posto, com a renúncia de Romeu Zema (Novo) em março, o chefe do Executivo mineiro fez movimentos para tentar uma aproximação, mas patina ao apresentar propostas que não se consolidaram.
O primeiro aceno importante de Simões às forças de segurança aconteceu em 21 de abril, quando, na cerimônia do Dia de Tiradentes, em Ouro Preto, ele anunciou que retomaria a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2024, que prevê reajuste salarial anual para os servidores da segurança. No entanto, o governo não conseguiu destravar a tramitação da proposta na Assembleia Legislativa, e a expectativa é que o tema fique para depois das eleições.
A pauta salarial é apontada como a origem do desgaste entre as forças de segurança e o governo estadual, iniciado ainda na gestão de Romeu Zema. Os servidores reivindicam uma recomposição salarial próxima de 70%.
Nesta semana, um novo motivo de insatisfação surgiu com o anúncio da expansão do Colégio Tiradentes. Durante viagens pelo interior, Mateus Simões informou que seriam abertas 19 novas unidades. Entretanto, em audiência na Assembleia Legislativa, a superintendente de Organização Escolar e Informações Educacionais, Simone Aparecida Emerick, afirmou que os projetos ainda estavam em análise e que não havia garantia de implantação das escolas.
O Colégio Tiradentes é administrado pela Polícia Militar e tem prioridade de matrícula para dependentes de militares. A possibilidade de as unidades anunciadas não serem efetivamente implantadas aumentou a desconfiança de parte da categoria.
À reportagem, o subtenente Heder, diretor jurídico da Aspra PM/BM, afirmou que a expansão havia sido descartada no início do ano sob a justificativa de falta de recursos e criticou o fato de o tema ter voltado à pauta sem considerar estudos prévios da Polícia Militar.
O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) também criticou a condução do tema, afirmando que a incerteza sobre a implantação dos novos colégios reforça o descontentamento das forças de segurança com o governo.
Em nota, o Governo de Minas afirmou que a expansão dos Colégios Tiradentes será efetivada nas cidades anunciadas e informou que mantém diálogo com as comunidades escolares. Segundo o Executivo, poderão ocorrer ajustes quanto às unidades escolhidas, após análises técnicas realizadas pelos órgãos responsáveis.
