terça-feira, 2 de abril de 2024

Pacientes estão amontoados em macas e cadeiras no corredor do Ipsemg 😪

 Pacientes estão amontoados em macas e cadeiras no corredor do Ipsemg 



Pacientes amontoados em um corredor de aproximadamente 30 metros de comprimento. Enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e outros profissionais se “apertam” entre as estreitas passagens para ter acesso aos enfermos. Diagnosticados com dengue, pneumonia, princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC), Covid, entre outros, os doentes e acompanhantes passam o dia e a noite sob o risco de contrair infecções. A situação caótica ocorre bem no centro de Belo Horizonte, no Hospital Governador Israel Pinheiro (Ipsemg), em meio à pior epidemia de dengue já vivida pelo Estado. O instituto atende servidores, aposentados do governo de Minas e suas famílias. Enquanto a precariedade toma conta da internação, há cerca de 80 leitos vagos nos andares de cima, segundo informado por profissionais que atuam na unidade. Veja o vídeo abaixo.


Desde a manhã desse domingo (31 de março), filhos de um idoso de 86 anos relatam a humilhação e o medo de que o pai, diagnosticado com pneumonia, deixe a unidade de saúde pior do que entrou. “Ele está internado em uma maca localizada abaixo de uma escada. Precisei limpar a poeira, porque ele tem um quadro de pneumonia e baixa saturação. É muita humilhação, e cerca de 80% dos internados são idosos”, detalhou o filho, que terá a identidade preservada. 


Angústia para pacientes, profissionais e acompanhantes 

O homem passou a noite com o pai na unidade de saúde e presenciou cenas ultrajantes. “É uma angústia para pacientes, acompanhantes e profissionais. À noite, uma mulher diagnosticada com dengue se deitou no chão porque não aguentava mais ficar na cadeira dura. A médica pediu que ela se levantasse por causa do risco de infecção, mas ela disse que não conseguia”, revelou. 


As condições de higiene, conforme contou o homem, passam longe do ideal. Com apenas dois banheiros para atender pacientes e acompanhantes, o banho se torna quase impossível.  “As moças da limpeza não conseguem manter o ambiente limpo devido à alta demanda. Preferimos que ele não tomasse banho. É desumano, até a intimidade da pessoa é negada”, desabafa. A esperança da família é conseguir que o idoso seja transferido para um hospital conveniado. 


Problema antigo 

A presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg (Sisipsemg), Antonieta Dorledo, corrobora a percepção dos filhos do aposentado. A superlotação do hospital ocorre devido à escassez de profissionais. “Temos cobrado. Não é de hoje que o nosso número de profissionais está muito aquém das necessidades. As administrações não suprem essa demanda, o que acaba resultando no fechamento de leitos e na atual situação”, explica Antonieta. Dados do portal do Ipsemg mostram que, em 2021, o instituto tinha 2.356 profissionais para atender 839.647 beneficiários. “Há alguns anos, tínhamos 6.000 (profissionais); atualmente, temos pouco mais de 2.000. Isso mostra o quão defasado é o quadro. Faltam médicos de diversas especialidades, enfermeiros, técnicos. Estão todos no limite”, detalha. Para ela, os profissionais preferem não atuar no local por causa dos baixos salários.


O desgaste dos profissionais de saúde foi percebido também pelo servidor público Misael Cangussu, de 35 anos. Em março, ele precisou ficar quatro dias internado no Ipsemg. “Além de ter ficado com as plaquetas muito baixas, a intensa desidratação foi o motivo que me fez ficar hospitalizado. Porém, nos primeiros dias, eu sequer conseguia receber o soro na veia. Me lembro de ter tomado dois copos de água, já que não tinha forças para andar até o bebedouro. Quando questionei uma enfermeira sobre a demora, ela me pediu desculpas e argumentou que eram muitos pacientes para poucos profissionais”.


O servidor público esperou quatro horas para ter o soro trocado. “Quem chegava à ala de emergência ficava misturado com a gente. Pacientes com dengue e Covid juntos. Pessoas dormindo em cadeiras comuns. Fiquei com muito medo de contrair outras doenças, pois minha imunidade estava baixíssima”, relatou. Para o servidor, a situação é absurda. “Não culpo os profissionais, pois eles estão sobrecarregados desde a pandemia. É um total descaso do Estado com todos nós. Não dá para falar que há inadimplência dos beneficiários, pois o desconto é feito na minha folha de forma antecipada. Minha internação, por exemplo, já foi cobrada. É um investimento altíssimo, mas quando precisamos não há estrutura. Descuido completo”, explica

Solidariedade em meio ao caos 

No caso de Misael, ele não pôde ter acompanhante. Já o idoso de 86 anos precisa dessa atenção da família. E são essas pessoas que acabam auxiliando as outras. “Os médicos, enfermeiros e técnicos são parados a todo momento. Eu ajudei muitas pessoas, já que nem todas têm acompanhante. É preciso resolver papelada, pedir o medicamento. Até abanar uma senhora com princípio de infarto, eu abanei”, contou o filho do idoso de 86 anos. 


Plano de carreira e escassez de profissionais são desafios 

Para atender a toda a demanda do Ipsemg, Antonieta cobra a realização de concurso público. “Teve um no final do ano passado, mas foram chamados somente 280 profissionais. Ficamos nove anos sem nenhum certame e, quando veio, foi para pouquíssimas contratações”. Além da prova de seleção, outro ponto reivindicado pelos profissionais é a melhoria no plano de carreira.


“Mesmo quando há concurso público, as pessoas entram e não ficam por muito tempo, pois os salários são irrisórios. É o pior vencimento da rede pública. Os profissionais entram, observam como é a situação, estudam, fazem outro concurso, são aprovados e nos deixam. Se não resolvermos o plano de carreira, que é nosso maior problema, vamos ficar ‘enxugando gelo’”, pondera a líder sindical

Para o médico e ex-secretário de Saúde de Belo Horizonte Jackson Machado, o déficit de profissionais na rede pública de saúde é um problema a nível nacional que se dá, justamente, pela falta do plano de carreira médica. “Tem sido muito difícil suprir, de modo geral, a falta de profissionais. Uma pessoa investe muito na formação em medicina na rede privada de ensino, por exemplo. Depois de formar, ela vai querer, corretamente, recuperar o investimento, só que os salários que as redes públicas pagam são insuficientes para atrair esses profissionais”.


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O TEMPO

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