quarta-feira, 15 de novembro de 2023

 


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OPINIÃO / BERTHA MAAKAROUN

Chefe do segundo maior colégio eleitoral do país, de um estado síntese do Brasil em suas dimensões sociodemográficas, ao longo de todo o ano Romeu Zema agiu como se governasse um estado que pudesse prescindir do governo federal.

Que o governador do estado devedor, em situação fiscal “catastrófica”, tenha entrado de cabeça na campanha de segundo turno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apostando todas as fichas que viraria a disputa em Minas, vá lá, entende-se. Já estava eleito, queria ser ungido pelo bolsonarismo como sucessor natural nas eleições presidenciais de 2026. Foi convencido de que viraria a eleição nacional em Minas Gerais, e com o apoio orgânico do empresariado e de certas igrejas, partiu para uma polêmica caça aos vira-votos. Zema, naquele momento, foi imprudente porque não pareceu calcular que as coisas poderiam não sair como desejava. Até aqui, compreende-se.

Ainda assim, apesar do constrangimento com o presidente eleito, solução sempre há. Terminado o pleito, Zema poderia ter feito gestos altivos, mas políticos. Poderia, preservando a sua identidade raiz, os seus interesses em manter vínculos com um segmento do eleitorado da extrema direita, ter construído uma interlocução com o governo federal. Assim faz, por exemplo, o governador de São Paulo, um estado rico que não carrega o pires do RRF. Assim faz o governador do Rio, estado que vive momentos tão difíceis quanto Minas, também constrói interlocução com o governo federal, de um presidente que ele pessoalmente não gosta. Mas que seu estado necessita. Mas Minas, que já protagonizou cenas históricas marcantes, tornou-se diferente.

A singularidade, nesse caso, diz respeito a esse comportamento que não se explica: gestos de um governador que não foram feitos para construir pontes, mas antes, que foram feitos para dinamitar projetos de pontes. Daí que, agora, em que 20 de dezembro se aproxima, a sociedade mineira parece em choque: “Uai, mas como assim, o governador Romeu Zema precisa dialogar com o presidente Lula?”

Para a coluna completa, acesse: www.em.com.br

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