O governo está vendendo uma coisa e entregando outra.
Ao anunciar expansão do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, cria-se a expectativa de novas unidades com o mesmo padrão, a mesma identidade e o mesmo compromisso histórico com a família militar. Mas o que está sendo construído, na prática, é diferente.
Não se trata de criar novos Colégios Tiradentes de fato. O que está acontecendo é a adaptação de escolas já existentes, com mudança de nome e inserção do modelo cívico-militar, aproveitando a força e o prestígio da marca “Tiradentes”.
A redução das vagas para militares para 50% deixa claro o direcionamento: o foco deixa de ser a família militar. E quando se altera o público-alvo, inevitavelmente se altera a essência da instituição.
O governo de Mateus Simões tenta dar legitimidade a isso por meio de um projeto de lei, alegando segurança jurídica após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Mas, na prática, o que se vê é uma reconfiguração do modelo.
Não é expansão do Tiradentes.
É uso do nome Tiradentes para impulsionar um projeto de escola cívico-militar.
E isso, para muitas famílias, soa como engano.
Renata Pimenta
