segunda-feira, 2 de março de 2026

 



 O anúncio de 5,4% feito por Romeu Zema é vendido por ele como grande conquista, mas para quem vive da folha do Estado soa quase como provocação. Depois de anos de perdas acumuladas, inflação corroendo salários e carreiras desvalorizadas, apresentar esse índice como valorização é desrespeitar a inteligência do servidor.

Não existe recomposição real quando o percentual não cobre sequer o que foi perdido. O poder de compra despencou, os custos dispararam, e o governo entrega um índice tímido como se fosse gesto de generosidade. Não é. É obrigação mínima — e ainda insuficiente.
E é preciso acabar com a confusão proposital: penduricalhos não são reajuste. Auxílio, gratificação, benefício temporário não substituem aumento no vencimento básico. Não incorporam à aposentadoria, não estruturam carreira, não garantem segurança. Valorização de verdade é no salário-base. O resto é maquiagem contábil.

E o discurso continua o mesmo: culpa no passado. Oito anos depois, ainda se invoca a gestão de Fernando Pimentel como se o Estado ainda estivesse sob comando anterior. Quem governa há dois mandatos completos não pode mais viver de comparação. A responsabilidade é de quem está no cargo.
Responsabilidade fiscal não pode ser sinônimo de compressão salarial permanente. Pagar em dia não é favor. Reajustar abaixo das perdas não é valorização. E repetir o mesmo argumento ano após ano enquanto o servidor acumula prejuízo é, sim, uma afronta a quem sustenta o funcionamento do Estado na ponta.
Aguarde, a resposta virá nas urnas.


 


domingo, 1 de março de 2026

 


Na política, rótulos como direita, esquerda ou centro costumam servir como referência ideológica. No entanto, muitos eleitores avaliam lideranças não apenas pelo discurso, mas principalmente pelas decisões práticas e pelos interesses que parecem priorizar.

Quando se diz que Romeu Zema e Mateus Simões “não são de direita, nem de esquerda, nem de centro, mas do lado particular deles”, a crítica aponta para uma percepção de pragmatismo político — ou até de priorização de projetos próprios acima de alinhamentos ideológicos consistentes.

Esse tipo de avaliação surge quando há distanciamento entre o discurso adotado em campanha e as decisões tomadas no exercício do poder. No fim, mais do que o rótulo ideológico, o que pesa para a opinião pública são as ações concretas, os resultados entregues e a coerência entre fala e prática.



Renata Pimenta


ELEIÇÕES – A manifestação da direita realizada neste domingo (1º), em Belo Horizonte, expôs uma contradição evidente no próprio discurso de “união”. O vice-governador Mateus Simões (PSD) subiu ao trio elétrico, mas evitou discursar. Nos bastidores, porém, declarou trabalhar para a retirada da possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas.

A defesa da unidade do campo conservador soa razoável no plano retórico. No entanto, os números das pesquisas indicam um cenário claro: Cleitinho ultrapassa 30% das intenções de voto, enquanto Simões aparece com cerca de 5%. Diante disso, a pergunta inevitável é se o apelo à união é, de fato, estratégico ou apenas uma tentativa de inviabilizar quem hoje demonstra maior respaldo popular.

Em política, união não pode significar imposição. Se o argumento central é preservar um projeto de governo, ele precisa estar ancorado na realidade eleitoral e no respeito à vontade do eleitorado. Ignorar os números e insistir em articulações de bastidor fragiliza o próprio discurso de coesão e reforça a percepção de que, muitas vezes, a disputa não é por projeto, mas por espaço de poder.

QUANDO TE DIZEM "aqui estamos no mesmo barco"

 



 Servidores à espera de correção salarial em Minas - Estado de MinasEstado de Minas - https://www.em.com.br/politica/2026/03/7365148-servidores-a-espera-de-correcao-salarial-em-minas.html