sexta-feira, 10 de abril de 2026

 


A discussão sobre hierarquia militar, nomeações em cargos estratégicos e os limites legais da administração pública em Mato Grosso ganhou grande repercussão após uma série de manifestações de entidades representativas, autoridades políticas e veículos de imprensa, revelando um cenário de divergência institucional dentro da segurança pública.

O debate teve início com questionamentos da Associação dos Oficiais da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (ASSOF-MT) e da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (FENEME), que apontaram possível irregularidade em nomeações para funções no Gabinete Militar do Estado. Segundo as entidades, a legislação estadual prevê que determinados cargos estratégicos devem ser ocupados exclusivamente por oficiais do último posto do Quadro de Oficiais da Polícia Militar, como coronéis da ativa.

A FENEME, em nota pública, reforçou que o princípio da legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal, exige que a administração pública atue estritamente dentro das normas vigentes. A entidade também destacou que a estrutura das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares se baseia nos pilares da hierarquia e disciplina, conforme o artigo 42 da Constituição, e que o descumprimento de requisitos legais para funções estratégicas pode gerar insegurança jurídica e impacto na cadeia hierárquica.

Enquanto isso, entidades ligadas às praças, como a ANASPRA, também se posicionaram no debate, defendendo militares envolvidos nas polêmicas e criticando o que classificam como interpretações corporativas da hierarquia. Essas entidades reforçam a defesa das decisões administrativas do governo e destacam o critério de mérito e capacidade técnica na ocupação de funções.

A controvérsia ganhou ainda mais força após declarações do deputado estadual Abílio Brunini, que defendeu a atuação de um sargento em função de chefia e relativizou críticas sobre patente ao afirmar que cargos de comando podem ser exercidos por diferentes graduações. A fala gerou reação e ampliou o debate sobre o peso da hierarquia formal em comparação com critérios de confiança e gestão.

Em paralelo, o próprio Governo do Estado de Mato Grosso passou a ser alvo de questionamentos sobre a nomeação de uma sargento para função no Gabinete Militar, o que motivou manifestações públicas de entidades de oficiais e praças em lados opostos. De um lado, críticas sobre possível desconformidade legal; de outro, defesa da escolha com base em critérios administrativos e de eficiência.

No centro da discussão está a interpretação da legislação que regula as funções estratégicas dentro das instituições militares estaduais, especialmente no que diz respeito à exigência de postos específicos para determinadas funções de comando e assessoramento.

O cenário atual expõe uma divisão clara entre entidades do oficialato e representantes das praças, além da entrada de atores políticos no debate, evidenciando uma disputa mais ampla sobre modelos de gestão, hierarquia e critérios de nomeação dentro da segurança pública em Mato Grosso.

A FENEME, por sua vez, afirma permanecer aberta ao diálogo institucional, defendendo a revisão de atos administrativos quando necessário e a observância rigorosa da legalidade, moralidade e da estabilidade das instituições militares estaduais.

Que Deus conforte familiares e amigos