terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 


Zema ampliou, no apagar das luzes de 2025, o tempo de segurança para quem deixa o poder em Minas Gerais. Um decreto publicado em 31 de dezembro reorganiza o Gabinete Militar do Governador (GMG) e dobra o prazo inicial de proteção para ex-governador e ex-vice: de um para dois anos após o fim do mandato, com possibilidade de prorrogação.

Na prática, o texto muda o conceito de “segurança governamental”. Não se trata mais apenas de proteção física. O decreto passa a incluir, de forma expressa, a chamada integridade moral e institucional do governador e do vice, tanto no exercício do cargo quanto depois de eleitos — e agora também após deixarem a função.

Outro ponto que chama atenção é a ampliação do alcance da segurança. Familiares ou pessoas diretamente vinculadas às autoridades poderão ser incluídos, desde que haja indicação expressa do governador ou do vice e justificativa de interesse público. Ou seja: a decisão fica concentrada no alto escalão do Executivo.

O decreto também corrige e amplia normas anteriores. Em 2023, a segurança prevista era mais restrita, voltada às autoridades em exercício e a visitas oficiais. Agora, ex-governador e ex-vice entram oficialmente no rol de beneficiários do aparato do GMG.

No caso específico dos ex-chefes do Executivo, o novo texto altera um decreto de 2022. Antes, a segurança podia ser prestada por um ano após o fim do mandato, com prorrogações sucessivas, limitadas ao término do mandato seguinte. Agora, o prazo inicial já nasce ampliado para até dois anos, mantendo a possibilidade de prorrogação, desde que autorizada pelo governador em exercício.

Há ainda um detalhamento operacional que não existia antes: a equipe mínima deverá ser composta por três policiais militares por turno — um oficial, até o posto de major, e duas praças — organizados em escala regular de revezamento.

Em nota, o governo de Minas afirma que não há criação de novos benefícios nem ampliação de competências. Segundo o Executivo, o decreto apenas consolida normas já existentes e dá mais objetividade aos prazos, com base em estudos técnicos do próprio Gabinete Militar. A justificativa oficial é a “razoabilidade” e a mitigação de riscos enfrentados por autoridades após o exercício do cargo.

O discurso é de segurança jurídica. Mas o fato é que, enquanto falta efetivo na ponta e sobram queixas sobre condições de trabalho na segurança pública, o alto escalão garante, por decreto, mais tempo e mais estrutura de proteção para quem já saiu do poder. Coincidência ou não, tudo foi publicado no último dia útil do ano.

PMERJ institui pagamento de RAS para os policiais militares em caso de depoimento em horário de folga

 PMERJ institui pagamento de RAS para os policiais militares em caso de depoimento em horário de folga RAS - REGIME ADICIONAL DE SERVCO, equ...