sábado, 10 de janeiro de 2026

 O Eco do Passado e o Silêncio do Comando

Manifesto pela Dignidade dos Veteranos da PMMG

A forma como os veteranos da Polícia Militar de Minas Gerais vêm sendo tratados não é apenas vergonhosa; é um ato explícito de ingratidão institucional. O comando que ignora seus veteranos não comete um simples erro administrativo: trai a própria essência da PMMG e profana a história que jura preservar.

Veteranos não pedem privilégios. Exigem respeito, reconhecimento e dignidade. Exigem que a instituição que ajudaram a erguer não os trate como estorvo, despesa ou problema a ser esquecido. O silêncio do Comando Geral e a inércia do Governo de Minas não são neutros — gritam abandono. Quando o comando escolhe o silêncio, escolhe a covardia.

Ao virar as costas para quem sustentou a farda nos piores momentos, o comando dispara contra o próprio coração da tropa. O policial da ativa vê, sente e entende a mensagem: dedicação não garante dignidade, lealdade não gera reconhecimento, sacrifício termina no esquecimento. Isso destrói a motivação mais rápido do que qualquer inimigo externo.

Uma polícia que despreza seus veteranos perde a autoridade moral para exigir sacrifício dos ativos. Não se constrói disciplina ignorando quem ensinou o que é disciplina. Não se fala em valores enquanto se pisa na própria história. Hierarquia sem honra vira imposição vazia; comando sem respeito vira cargo, não liderança.

O mais grave é que essa postura não enfraquece apenas os veteranos — apodrece a instituição por dentro. Corrói o espírito de corpo, rompe o elo entre gerações e transforma a PMMG em uma corporação sem memória, sem gratidão e sem futuro. Instituições assim não caem de fora para dentro; desmoronam internamente.

Valorizar o veterano não é opção política nem conveniência administrativa; é obrigação ética. A valorização pecuniária não é bônus, é reconhecimento tangível de uma vida de riscos. Quem falha nisso não está à altura do comando que ocupa. A PMMG não pertence a governos de ocasião nem a gestores temporários — pertence à sua história e a quem a construiu.

O comando precisa decidir: ou honra seus veteranos, ou assume publicamente que abandonou os valores que diz defender. Porque uma polícia que esquece seus veteranos já perdeu o respeito de si mesma — e está a um passo de perder o respeito da sociedade. Honrar o veterano é a única forma de manter viva a autoridade moral de comandar.

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