quinta-feira, 7 de maio de 2026

O militar baixado em serviçoEfetivo operacional é importante. Mas a dignidade do militar adoecido também precisa ser prioridade :



A discussão sobre movimentação de militares com restrições médicas envolve não apenas o interesse individual, mas também a necessidade de manutenção da operacionalidade das unidades.

Segundo o entendimento apresentado, o comandante da unidade possui discricionariedade administrativa para avaliar a viabilidade da movimentação, considerando a necessidade de efetivo apto ao serviço operacional. Isso porque determinadas unidades dependem de um número mínimo de militares aptos a atuar diretamente nas escalas e ocorrências.

O argumento utilizado é que, em alguns casos, a transferência de um militar com limitação para atividade operacional pode gerar desequilíbrio na unidade de destino, especialmente quando já existem outros militares afastados do serviço operacional atuando em funções administrativas.

Outro ponto destacado é que o comandante tem o dever legal de garantir o funcionamento da unidade, promovendo a adequada gestão administrativa e operacional do efetivo. Embora a legislação não detalhe expressamente critérios objetivos sobre o limite de militares afastados do operacional em cada unidade, a interpretação é de que essa responsabilidade decorre das atribuições de comando previstas na legislação militar.

Também são considerados fatores técnicos e operacionais específicos, como a necessidade de motoristas credenciados para viaturas, composição mínima das guarnições e distribuição equilibrada do efetivo. Assim, a decisão sobre movimentação funcional acaba sendo fundamentada, muitas vezes, na conveniência e oportunidade administrativa, dentro da discricionariedade atribuída ao comandante da unidade.

Entretanto, outro ponto que precisa ser considerado é que nenhum militar escolhe adoecer. O afastamento do serviço operacional ocorre justamente em razão de problemas de saúde reconhecidos oficialmente, muitas vezes decorrentes de anos de dedicação, desgaste físico e emocional da própria atividade militar.

O militar baixado não deixa de ser profissional, comprometido ou útil à instituição. Em muitos casos, continua desempenhando funções administrativas essenciais para o funcionamento da unidade.

Dessa forma, a discussão não deveria tratar o militar doente como um problema administrativo, mas buscar equilíbrio entre a necessidade operacional da instituição e o respeito à dignidade, à saúde e aos direitos de quem dedicou anos ao serviço público e hoje enfrenta limitações médicas involuntárias.

Renata Pimenta