sexta-feira, 1 de maio de 2026

 

Ala do PL prefere acordo com Cleitinho e critica correligionários por ‘medo’ de Mateus Simões

Bastidores do partido seguem indefinidos, enquanto Flávio Roscoe continua pré-candidato ao Palácio Tiradentes
Cleitinho Azevedo de terno, no Senado Federal, dando joinha à esquerda; Mateus Simões, de camisa azul, em agenda no interior de Minas, à direita
Cleitinho e Mateus Simões, dois dos pré-candidatos ventilados nos corredores do PL de Minas Gerais. Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado e Karoline Barreto/Imprensa MG

Parte do Partido Liberal (PL) defende um acordo com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições de outubro, afirmam fontes ouvidas por O Fator. Essa parcela de interlocutores pensa que o apoio de representantes da legenda ao ex-deputado estadual seria maior e mais explícito não fosse o receio de alguns correligionários do “poder da caneta” do atual governador, Mateus Simões (PSD). 

Na visão da ala pró-Cleitinho, parte do PL não se posiciona de maneira favorável à pré-candidatura do senador, nem mesmo nos bastidores, por temer uma eventual porta fechada com Simões para o atendimento de demandas — como liberação de emendas e a participação em agendas oficiais do Executivo. Principalmente, por se tratar de um ano eleitoral.

O mesmo grupo vê com bons olhos a pré-candidatura do ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL). No entanto, a avaliação é de que a demora na definição dos rumos do partido prejudica o lançamento de um outsider.

Pesa, a favor de Cleitinho, uma maior interlocução com as pautas do núcleo duro do bolsonarismo, além, é claro, do favoritismo medido pelas pesquisas até o momento, ainda que em um cenário de pré-campanha.

Divergência

Uma outra ala do PL não vê com bons olhos a pré-candidatura de Flávio Roscoe. Dois motivos pesam nessa equação: o não cumprimento de promessas por parte do ex-mandatário da Fiemg, quando ele ainda dirigia a federação; e a falta de competitividade dele nas pesquisas feitas até o momento. 

Uma terceira fatia de fontes defende a manutenção do nome de Roscoe. Esses interlocutores afirmam que o empresário “é um nome excelente e preparado”, mas que o cenário sobre os rumos da legenda ficará mais claro nos próximos 15 dias. Como O Fator já mostrou, essas fontes dizem que qualquer decisão passará pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

Há, ainda, quem defenda um acordo com Mateus Simões. Para que esse cálculo saia do campo das ideias e ganhe as urnas, liberais anseiam por uma chapa nacional entre Flávio Bolsonaro e o ex-governador Romeu Zema (Novo). Nesse panorama, ganha tração a possibilidade de Roscoe ser considerado como possível vice de Mateus.

Como já mostrou a reportagem, o tema voltou à mesa durante agenda na Fiemg, que contou com a presença do ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, partido de Simões, no último dia 23.

Ex-prefeito como alternativa

Outra parte dos ouvidos pela reportagem defende uma alternativa a Flávio Roscoe na corrida pelo Palácio Tiradentes, que passa pelo nome do ex-prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Vittorio Medioli (PL). 

Apesar dos bastidores apontarem, de maneira mais sólida, para uma candidatura do empresário à Assembleia Legislativa, alguns liberais veem nele a melhor alternativa.

“Apesar de Flávio Roscoe ser um bom nome, na minha concepção há uma reflexão mais profunda a ser feita. Quando o assunto é governo, hoje o quadro com mais preparado no PL é o do Vittorio Medioli, que, além de ser um empresário de grande sucesso, ainda acumulou uma vasta experiência no Executivo”, afirma o deputado estadual Cristiano Caporezzo