sexta-feira, 6 de março de 2026

Romeu Zema pior governador que Minas Gerais já teve

 



OPINIÃO | Política

Romeu Zema pior governador que Minas Gerais já teve

Por Wagner Xavier

Publicado em 06/03/2026 – 10h31

Em base de fatos públicos e decisões políticas concretas, é correta a afirmação de que Romeu Zema foi o pior governador que Minas Gerais já teve. A análise se apoia em quatro eixos centrais: gestão da dívida pública, uso dos recursos oriundos dos crimes da Vale, acordos lesivos ao Estado (Lei Kandir) e política de isenções fiscais concentradas em grandes empresas.

A dívida de Minas: responsabilidade não é discurso, é gestão

Quando Fernando Pimentel assumiu o Governo de Minas Gerais, o Estado já se encontrava em grave crise fiscal, com uma dívida elevada herdada de governos anteriores. Ainda assim, durante seu mandato (2015–2018), Minas pagou regularmente as parcelas da dívida com a União ao longo de quatro anos, mesmo diante de severas restrições orçamentárias, queda de arrecadação e pressões sociais.

Além disso, Minas não aderiu à LC 159/2017, o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), criado em setembro de 2017. O Rio de Janeiro aderiu e recebeu R$ 62 bilhões de alívio fiscal (suspensão da dívida por três anos e autorização federal para novos empréstimos de R$ 20 bilhões). Em contrapartida, o governador Pezão encaminhou a privatização da CEDAE (concretizada em 2021), congelou salários, fez reforma da previdência estadual e implantou teto de gastos.

Pimentel não aceitou privatizar a CEMIG e a COPASA em troca da suspensão temporária do pagamento da dívida com a União e de autorização para novos empréstimos. Mesmo diante de uma das piores situações fiscais da história do Estado, o governo fez a escolha política de não abrir mão do patrimônio público mineiro.

O governo ainda autorizou aporte de R$ 128,4 milhões como AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) na COPASA para resolver a crise hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Vender patrimônio público para resolver crise fiscal, segundo essa visão, seria trocar um bem permanente por uma solução temporária.

Em 2019, primeiro ano do governo Romeu Zema, a dívida consolidada de Minas Gerais era de aproximadamente R$ 113,36 bilhões. Ao final de 2025, após sete anos de governo Zema, a dívida estadual ultrapassou R$ 201 bilhões, sendo R$ 177,48 bilhões apenas com a União. Trata-se de um crescimento superior a R$ 87,64 bilhões.

Durante esse período, o governo Zema se valeu de decisões judiciais que suspenderam o pagamento da dívida com a União por longos períodos, o que ampliou o passivo.

Governar, segundo o autor, não é apenas reclamar da herança recebida, mas assumir responsabilidades e reduzir passivos. Os números demonstrariam que, sob Zema, a dívida não diminuiu — ela aumentou significativamente.

Recursos da Vale: bilhões recebidos, resultados limitados

Outro ponto levantado é o volume expressivo de recursos recebidos por Minas Gerais após os desastres ambientais envolvendo a Vale.

No caso de Brumadinho, o acordo judicial firmado em 2021 prevê R$ 37,69 bilhões em reparações. Já no caso de Mariana, um novo acordo fechado entre 2024 e 2025 prevê cerca de R$ 132 bilhões, a serem pagos ao longo de até 20 anos pelas mineradoras Vale, BHP e Samarco, sendo aproximadamente R$ 100 bilhões em novos recursos.

Esses valores representariam uma oportunidade histórica para:

fortalecer serviços públicos essenciais

recuperar áreas ambientais degradadas

investir em saúde, saneamento e infraestrutura

ampliar políticas de prevenção de desastres

garantir justiça às populações atingidas

Segundo a crítica apresentada no artigo, o governo estadual não teria conseguido transformar esses recursos extraordinários em melhorias estruturais duradouras para a população, havendo críticas quanto à lentidão e fragmentação dos investimentos.

O acordo da Lei Kandir

Outro ponto criticado é o acordo relacionado à compensação da Lei Kandir.

Minas Gerais é um dos estados mais impactados pela desoneração das exportações prevista pela lei, principalmente devido à exportação de minério.

Estudos indicavam que Minas poderia reivindicar cerca de R$ 135 bilhões em compensações.

No entanto, o acordo firmado prevê o repasse de R$ 8,7 bilhões até 2037.

Para o autor, isso representaria:

renúncia a mais de R$ 120 bilhões

enfraquecimento do pacto federativo

redução da capacidade de investimento do Estado

Isenções fiscais e política econômica

O artigo também critica a política de incentivos fiscais do governo estadual.

Segundo dados citados:

2021: cerca de R$ 13 bilhões

2022: R$ 15,3 bilhões

2023: R$ 18,8 bilhões

2024: R$ 20,2 bilhões

2025: R$ 21,8 bilhões

2026 (estimado): R$ 23,1 bilhões

Na avaliação apresentada, a renúncia fiscal teria crescido mesmo em um cenário de crise fiscal.

A crítica aponta que os benefícios estariam concentrados em grandes empresas, enquanto serviços públicos continuariam com dificuldades.

Conclusão do autor

Para o autor do artigo, a combinação de fatores — crescimento da dívida, uso considerado ineficiente de recursos extraordinários, acordos vistos como prejudiciais ao Estado e política fiscal voltada a grandes grupos econômicos — sustentaria a avaliação de que o governo Zema teria aprofundado problemas estruturais de Minas Gerais.

Wagner Xavier

Pedagogo e assessor do SindáguaS, sindicato dos trabalhadores das indústrias de purificação e distribuição de água e serviços de esgoto do Estado de Minas Gerais.