sexta-feira, 6 de março de 2026


O recado do PL a Cleitinho sobre a disputa pelo governo de Minas

Partido de Bolsonaro tem apreço pelo senador e quer preservar a boa relação, mas prega cautela sobre a definição de apoios
O senador Cleitinho Azevedo
Filiado ao Republicanos, Cleitinho analisa candidatura ao governo mineiro. Foto: Júlio Dutra/Republicanos

O PL sinalizou ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) que, por ora, não pode prometer ao parlamentar que o apoiará em caso de candidatura ao governo de Minas Gerais. O responsável por avisá-lo foi o presidente do partido no estado, o deputado federal Domingos Sávio. O Fator apurou que, apesar da resposta, o dirigente fez questão de ressaltar o apreço do PL pelo parlamentar.

Sávio explicou a Cleitinho que, antes de firmar alianças regionais, o partido precisa encaminhar a montagem do palanque nacional da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República. 

A legenda não deseja assumir compromisso com um pré-candidato ao governo mineiro e, posteriormente, perceber que a agremiação do aliado não caminhará com Flávio.

É o que impede, também, que o PL acerte, neste momento, endosso à pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD). Embora Simões se fie na proximidade com o deputado federal Nikolas Ferreira para obter o apoio dos liberais, os correligionários de Jair Bolsonaro apontam a intenção do governador Romeu Zema (Novo) de concorrer ao Palácio do Planalto como empecilho de momento.

Simões já declarou que, se Zema entrar na corrida eleitoral nacional, será seu cabo eleitoral em Minas. O PL, por seu turno, descarta vivenciar o expediente de 2022, quando entende que, apesar de ter lançado a candidatura do senador Carlos Viana ao Executivo estadual, ficou sem um palanque estruturado para Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição, no estado.

Contraste com o Rio de Janeiro

Diante da decisão de esperar a construção das alianças federais de Flávio Bolsonaro, o PL mineiro só alinhou uma decisão majoritária até o momento: a pré-candidatura de Domingos Sávio ao Senado Federal.

Interlocutores do partido utilizam o caso do Rio de Janeiro, base eleitoral de Flávio, como forma de explicar a situação mineira. O entendimento é de que ainda não há, em solo mineiro, um ambiente de alianças suficientemente maduro para fazer um anúncio em bloco, como ocorreu no estado vizinho. 

Por lá, o núcleo bolsonarista oficializou, de uma só vez, as pré-candidaturas de Douglas Ruas (PL) ao governo e de Márcio Canella (União Brasil) e Cláudio Castro (PL) ao Senado.

Cleitinho intensifica conversas por alianças

Embora ainda não tenha batido o martelo sobre pleitear ou não o cargo que hoje é de Zema, Cleitinho intensificou as conversas sobre eventuais alianças. No início da semana, ele se encontrou com o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, a fim de consultá-lo sobre a possibilidade de conseguir o apoio do empresário na disputa.

Medioli acenou positivamente à ideia, mas não deu resposta definitiva. Ao empresário, Cleitinho indicou que há espaço para, por exemplo, indicá-lo ao secretariado em caso de vitória nas urnas.

Dicotomia do Republicanos

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, quer uma candidatura própria do partido em Minas. O plano dos caciques da legenda inclui o prefeito de Patos de Minas (Alto Paranaíba) e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, como alternativa para a cabeça de chapa em um cenário sem Cleitinho.

Em que pese o desejo de Pereira, Mateus Simões mantém o objetivo de atrair o Republicanos para o seu cordão de alianças. Como O Fator mostrou nessa quinta-feira (5), o pessedista tem dito a interlocutores que confia em um acordo com a legenda por causa da boa relação junto à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), entidade que detém influência sobre as decisões da sigla.