domingo, 1 de março de 2026


ELEIÇÕES – A manifestação da direita realizada neste domingo (1º), em Belo Horizonte, expôs uma contradição evidente no próprio discurso de “união”. O vice-governador Mateus Simões (PSD) subiu ao trio elétrico, mas evitou discursar. Nos bastidores, porém, declarou trabalhar para a retirada da possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas.

A defesa da unidade do campo conservador soa razoável no plano retórico. No entanto, os números das pesquisas indicam um cenário claro: Cleitinho ultrapassa 30% das intenções de voto, enquanto Simões aparece com cerca de 5%. Diante disso, a pergunta inevitável é se o apelo à união é, de fato, estratégico ou apenas uma tentativa de inviabilizar quem hoje demonstra maior respaldo popular.

Em política, união não pode significar imposição. Se o argumento central é preservar um projeto de governo, ele precisa estar ancorado na realidade eleitoral e no respeito à vontade do eleitorado. Ignorar os números e insistir em articulações de bastidor fragiliza o próprio discurso de coesão e reforça a percepção de que, muitas vezes, a disputa não é por projeto, mas por espaço de poder.